José Cid, pois claro. Não tendo sido um nome directamente responsável pelo "boom", deve ter sorrido com a apetência das pessoas para o rock cantado em português, face a todo o seu papel na música moderna portuguesa nos fins de 60 e grande parte da década de 70.
No entanto, para a generalidade das pessoas – veja-se, por exemplo, a citação constante em textos de humoristas nacionais –, é um ícone de gosto duvidoso (seja lá isso o que for) na música. Portanto, um fenómeno incompreensível. Mas o que os comediantes e a maioria das gentes provavelmente ignoram é que o músico teve um percurso único e de relevo nos anos citados.
Cid foi, sem sombra de dúvidas, um dos músicos mais activos nesse período, desdobrando-se entre a música ligeira e, mais importante ainda, no pop/rock português.
O seu talento enquanto letrista, músico e compositor está intimamente ligado ao sucesso das bandas Quarteto 1111 e dos (quase clones desta, mas num pop mais "soft") Green Windows. Mas também na extensa colaboração com outros artistas e na concepção dos míticos álbuns "José Cid" (1970), também conhecido como "A palha" ou "Capote", "Onde, Quando, Como, Porque Cantamos Pessoas Vivas" (1975) e "10.000 anos depois entre Vénus e Marte" (1978), bem como de um conjunto de 45 rotações da década de 1970. Estes discos, como os demais do Quarteto 1111, são bastante procurados, mas, além da questão coleccionista, estamos de facto em presença de álbuns de grande qualidade.
José Cid é, desta forma, um nome incontornável da história do pop-rock português. E onde também fez crítica política (veja-se, por exemplo, a caricatura de Salazar em "No tempo em que o Toninho lanchava c'os amigos na pastelaria S. Bento").
Antes do "Chico Fininho", havia pop e rock nacional com outros nomes e ideias (desde as iniciáticas bandas ié-ié a nomes como os Beatniks, Objectivo, Petrus Castrus, Pop Five Incorporated, Sheiks, Saga, etc.). Só não tinha havido ainda um "boom". Não admira pois que José Cid tenha dito que, se Rui Veloso era o pai do "rock português", ele (Cid) seria a... mãe.
A curiosidade está ainda no facto de "10.000 anos..." contar com a participação dos músicos Zé Nabo e Ramon Galarza, os quais acompanharão Rui Veloso em "Ar de rock", dois anos depois.
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Tem quatro discos no museu.