30 anos
1980-2010

Em 2010, nos 30 anos sobre o boom, foram publicadas 18 entrevistas, 3 destaques e 9 colaborações de escribas da música nacional. Fica aqui esse registo/memória.

COLABORAÇÕES . 30 anos
DESTAQUES . 30 anos

HERÓIS DO MAR – Entrevista a Carlos Maria Trindade em Maio de 2010

Como fazer música eléctrica num país que, na altura, não tinha electricidade estável a 220v a não ser nas grandes cidades?


1. Volvidos tantos anos sobre o ‘boom do rock português’, que memórias restam?



Uma memória positiva. Foi graças a esse movimento espontâneo e descomplexado que uma geração de músicos, produtores e escritores de canções eléctricas em língua portuguesa se tornaram profissionais, agitando as águas da edição discográfica e do mundo do espectáculo nos palcos nacionais, em condições bem difíceis. Senão vejamos: como fazer música eléctrica num país que, na altura, não tinha electricidade estável a 220v a não ser nas grandes cidades?



2. O ‘boom’ precisa de pai? E será o Rui Veloso ou António Manuel Ribeiro?



O país precisa sempre de um pai para tudo...



3. Um disco e uma banda/músico do ‘boom’?



Houve tantos...



4. Os Heróis do Mar arrancam logo com um álbum que muitos críticos consideram hoje um dos melhores da música portuguesa. Num alargado painel (com cerca de 60 pessoas ligadas à música) da revista Blitz, em Novembro passado, foi considerado o 2.º melhor (só atrás de “Ar de Rock”, de Rui Veloso) da década de 80. No entanto, à época foi rodeado de polémica, alimentada, por exemplo, pelo jornal “Sete”, com a questão do ‘nacionalismo’ e ‘fascismo’. A vingança serve-se fria?


Os Heróis estavam de facto 20 anos à frente no seu conceito de recuperação dos valores humanistas do passado português. O país só viria genuinamente a redimir-se em 1998 com a Expo, mostrando com sucesso e sem vergonha a sua alma histórica ao mundo.



5. O sucesso esmagador de “Amor” surpreendeu-vos?



Nem por isso. Trabalhámos no sentido de fazer um hit de dança que nos permitisse enfrentar e fazer calar a crescente horda de inimigos que, por inveja ou preconceito, nos tentava sufocar.



6. “Princesa” é um disco elogiado, quando recuperado, hoje. O que se passou com o álbum “Tédio”?



A editora faliu, o disco não saiu.



7. Que tema e/ou disco dos Heróis do Mar vê como um filho pródigo?



 O álbum "Macau" tem a sua mágica.



8. O Carlos produziu discos dos Delfins, Rádio Macau, Xutos & Pontapés, Paulo Bragança, Santos e Pecadores e, mais recentemente, de Mariza (assinado também dois temas). Editou discos em grupo (Heróis do Mar, Madredeus), parcerias (Nuno Canavarro, Anabela) e a solo. Compositor, músico, produtor... o que lhe dá mais gozo?



São tarefas complementares. umas mais solitárias que outras. Cada uma dá os seus gozos.


Mas a lei tem sido a seguinte: quando não se aprende nada de novo ou a química e a tolerância entre as pessoas de um grupo desaparecem, é melhor reflectir e, eventualmente, mudar de direcção, mesmo que isso possa vir a ser uma travessia no deserto.



9. Projectos, hoje?


Acabámos de gravar mais um disco de "Madredeus e a Banda Cósmica"; escrevo música para uma peça de teatro da autoria de Leonel Moura cujos actores são 3 humanos e 3 robôs, a estrear em S. Paulo no dia 5 de Agosto; trabalho num novo projecto como produtor (que não posso revelar); continuo a compor; trabalho numa colectânea de trabalhos a solo que vai incluir faixas dos NO DATA, de Mr Wollogallu , do Deep Travel e um ou dois originais.



10. Que música moderna portuguesa ouve, actualmente?

Oiço pouca. Se calhar devia ouvir mais.

Heróis do Mar – "Paixão"

Carlos Maria Trindade – "Princesa"

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